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15 Abril 2009
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Barbados, pesados e maduros, os "bears" desafiam os estereótipos do mundo gay
Quando descobriu sua preferência sexual, Fabio se viu meio perdido. Afinal, como encontrar numa boate gay alguém barbado, com mais de 100 quilos e acima dos 50 anos? E, caso encontrasse, como não ser confundido com um garoto de programa ou, na melhor das hipóteses, um aproveitador de coroas? Os points GLS, definitivamente, não eram para ele.
Graças à internet, o webdesigner percebeu que não estava sozinho. Seu lugar era junto com os bears (ursos), uma espécie de tribo dentro da tribo, marcada pela negação de certos estereótipos do universo gay. A começar pelo culto à juventude, corpos sarados, roupas de marca, glamour, etc. Para um urso, homem tem que ter cara de homem - e nenhum pingo de afetação.
O vocabulário ''ursino'', como se diz no meio, é variado. Muscle bear é o urso musculoso. Polar bear, o grisalho. Há ainda o lontra, um tipo mais magro. Sem contar os agregados: cub (gordinho de pele lisa), dad (o paizão, que faz a linha protetor) e, é claro, chaser (caçador). Fabio, jovem e com o peso em dia, encaixa-se nesta última categoria.
Surgido nos anos 70, nos Estados Unidos, o movimento explodiu para valer com o advento da web, a exemplo de outras subculturas. A história é sempre a mesma. Os interessados se encontram em fóruns de discussão, trocam informações e, um dia, decidem dar o salto para o mundo real.
No Brasil, os ursos pioneiros começaram a se reunir em São Paulo, onde já existe todo um circuito de sites e badalações. Curitiba é considerada um pólo em franco crescimento, graças a figuras como Fabio, criador do portal Ursos do Paraná, e a dupla Paulo Fernando e Henrique HCA, produtores da festa CWBears.

O evento, surgido há pouco mais de um ano, consolidou de vez a cena local. Costuma atrair entre 100 e 150 pessoas por edição e já foi realizado em boates, chácaras, piscinas e saunas. Tudo muito bem organizado e com divulgação dirigida na internet. ''A ideia não é encher as festas, porque há o risco de descaracterizá-las. Queremos que o público fiel continue se sentindo à vontade'', afirma Henrique, 40, DJ e produtor musical.
Sentir-se à vontade, aliás, é o mais importante num evento ursino. ''Em qual outro lugar um gordinho pode dançar sem camisa e não ser hostilizado?'', questiona Paulo, 45, empresário. ''Quando entra um cara mais velho numa boate gay tradicional, logo vão dizendo que a geriatria chegou'', emenda Henrique, bem-humorado.
Para a dupla, a CWBears fez com que muitos voltassem a sair à noite. E mais: recuperassem uma autoconfiança perdida por conta das exigências, digamos, estéticas do mundo gay. Os produtores, no entanto, garantem que nada disso seria possível se eles não tivessem, literalmente, mostrado a cara. ''Fomos os primeiros aqui a colocar nome, foto e telefone na internet. Isso gerou confiança'', diz Paulo.
Empreendedores, os dois transformaram a CWBears em empresa e agora pretendem montar um bar próprio para a tribo. Outra proposta, eles contam, é incentivar o turismo ursino na cidade, já que muitos bears de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul têm vindo para cá apenas para se divertir nas festas. ''Por que não criar um Bear Weekend em Curitiba, com várias opções de programas?'', sugere o empresário.
Mas os planos ambiciosos não param por aí. O sonho da dupla é formar uma verdadeira rede/comunidade, para que os bears curitibanos consumam produtos e serviços oferecidos por outros ursos.
Se tudo der certo, vai ter muito urso saindo do armário. Ou melhor, da toca.
Fonte: http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=5403LINKCHMdt=20090415
Imagens: Marco Jacobsen eLetícia Moreira
Omar Godoy
Equipe da Folha
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